Acordo Mercosul-EFTA: o que muda no comércio exterior a partir de agosto

Acordo Mercosul-EFTA

O Brasil fechou, em julho de 2026, mais uma etapa da sua estratégia comercial, a ratificação do acordo Mercosul-EFTA. Também ratificou o tratado com Singapura. Juntos, os dois acordos ampliam o acesso preferencial das empresas brasileiras a mercados estratégicos. Portanto, o momento é bom para entender o que muda na prática — em linha direta com o que já mostramos sobre o acordo Mercosul-UE.

Este artigo explica quem integra a EFTA. Também mostra o que o acordo prevê. E, principalmente, aponta o que muda para quem exporta ou importa a partir de agora.

Quem forma o bloco EFTA

A Associação Europeia de Livre Comércio, ou EFTA, reúne Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. O bloco foi criado em 1960. Ele concentra economias de alta renda. Juntos, os quatro países somam cerca de 15 milhões de habitantes. O PIB conjunto chega a US$ 1,4 trilhão. Ou seja, é um mercado pequeno em população, mas com poder de compra elevado.

O acordo entre Mercosul e EFTA foi assinado no Rio de Janeiro em setembro de 2025. Ele tem 16 capítulos. Vai muito além da simples redução de tarifas. O texto trata de barreiras técnicas, medidas sanitárias e propriedade intelectual. Também aborda compras governamentais e desenvolvimento sustentável.

Como funciona a entrada em vigor

Diferente de outros tratados, esse acordo adota um mecanismo de vigência bilateral. Na prática, ele passa a valer entre os países que já concluíram a ratificação interna. Não é preciso esperar que todos os membros terminem o processo ao mesmo tempo. O Brasil depositou seu instrumento de ratificação em 30 de junho de 2026. O depósito ocorreu junto ao governo do Paraguai. A Islândia, do lado europeu, já havia concluído a etapa equivalente.

O que muda para exportadores brasileiros

Com a entrada em vigor do tratado, cerca de 99% do valor das exportações brasileiras para a EFTA passam a ter acesso preferencial. Além disso, o acordo prevê a eliminação de tarifas para praticamente todos os produtos industriais e pesqueiros. Produtos agropecuários, como carnes, milho, mel e óleos vegetais, entram por meio de cotas específicas.

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e EFTA somou US$ 7,8 bilhões. Desse total, US$ 3,8 bilhões foram exportações brasileiras. A alta foi de 22,9% sobre o ano anterior. Portanto, o bloco já vinha crescendo como destino antes mesmo da entrada em vigor do acordo.

O acordo com Singapura entra em vigor em agosto

Paralelamente ao caso EFTA, o Brasil também concluiu a ratificação do acordo com Singapura. Assinado em dezembro de 2023, o tratado é o primeiro do Mercosul com um país do Sudeste Asiático. Para o Brasil, ele entra em vigor em 1º de agosto de 2026. A partir dessa data, vale tarifa zero para 100% das exportações brasileiras ao país asiático.

Em 2025, a corrente de comércio entre os dois países alcançou US$ 10,7 bilhões. O superávit brasileiro foi de US$ 4,1 bilhões. O acordo também amplia o acesso a serviços, incentiva investimentos e traz um capítulo específico sobre comércio eletrônico.

O salto na fatia de comércio coberta por preferências tarifárias

Some-se a esses dois tratados o acordo Mercosul-União Europeia, já em vigor desde maio. Com os três combinados, a fatia da corrente de comércio brasileira coberta por preferências tarifárias sobe de 12% para 31,2%, segundo dados do MDIC. Esse salto é relevante porque reduz, ao menos em parte, a dependência de qualquer mercado isolado.

Alguns marcos resumem o avanço da agenda comercial brasileira em 2026:

  • Setembro de 2025 — assinatura do acordo Mercosul-EFTA no Rio de Janeiro.
  • 9 de junho de 2026 — Câmara dos Deputados aprova o texto (PDL 570/2026).
  • 30 de junho de 2026 — Brasil deposita a ratificação junto ao Paraguai.
  • 1º de agosto de 2026 — entrada em vigor do acordo com Singapura.

O que empresas importadoras também devem observar

Ainda que o discurso oficial foque nas exportações, o acordo também interessa a quem importa. A eliminação de tarifas para bens industriais tende a baratear peças e componentes. O mesmo vale para equipamentos originários da Suíça e da Noruega, países com forte tradição em manufatura de precisão. Além disso, o novo capítulo de facilitação de comércio deve simplificar procedimentos aduaneiros entre os blocos.

O impacto fiscal também chama atenção. O governo estima uma renúncia de receita federal de R$ 26,5 milhões em 2026. Esse número mostra que a redução tarifária já está precificada no orçamento público, e não é apenas um gesto simbólico.

  • Verifique se o país de origem do seu fornecedor está entre os membros da EFTA.
  • Avalie, junto ao seu despachante, se o produto se enquadra nas listas de eliminação tarifária do acordo.
  • Acompanhe o MDIC para eventuais regras de origem que precisem ser comprovadas na importação.
  • Considere renegociar contratos de longo prazo à luz da nova tarifa preferencial.

Um contexto mais amplo: por que a diversificação ganhou prioridade

Nos últimos anos, o comércio exterior brasileiro passou por oscilações importantes na relação com parceiros tradicionais. Diante desse cenário, o governo intensificou a assinatura de acordos com blocos alternativos, como a própria EFTA, a União Europeia e Singapura. Como resultado, a pauta de exportação e importação do país tende a ficar menos concentrada em poucos destinos.

Para empresas de médio porte, esse movimento tem uma leitura prática. Além disso, novos acordos costumam abrir espaço para fornecedores até então pouco explorados. Da mesma forma, tarifas menores tendem a compensar, ainda que parcialmente, custos logísticos mais altos de rotas alternativas. Por isso, vale acompanhar cada novo tratado não como uma notícia isolada, mas como parte de uma tendência mais ampla de reorganização das rotas comerciais brasileiras.

FAQ sobre o acordo Mercosul-EFTA

Quando o acordo Mercosul-EFTA entra em vigor?
 De forma bilateral, à medida que cada país conclui sua ratificação interna. O Brasil já concluiu a sua em junho de 2026.

Quais países fazem parte da EFTA?
 Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça.

O acordo cobre produtos agrícolas?
 Sim, mas por meio de cotas tarifárias para itens como carnes, laticínios e óleos vegetais.

O que muda para quem importa máquinas da Suíça?
 A tendência é de redução gradual de tarifas para bens industriais. Isso pode baixar o custo final do equipamento.

O acordo com Singapura é parte do mesmo pacote?
 São tratados distintos. Porém, seguem o mesmo movimento de diversificação e entram em vigor quase ao mesmo tempo.

O comércio exterior brasileiro está, aos poucos, deixando de depender de poucos parceiros. Para quem opera com importação e exportação, vale menos reagir a cada acordo isoladamente. Vale mais entender como esse conjunto de tratados redesenha, no médio prazo, o mapa de fornecedores e compradores possíveis.